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Por: Giovana Botti (Redator)

A saga de uma zebrinha em busca de suas listras perdidas levou o grande prêmio asiático do Gold Panda 2013 de animação, realizado em novembro na China. Khumba, a fina produção em 3D vencedora do festival, não estreou primeiro no circuito tradicional do hemisfério norte e também não vem da tradicional safra de sucesso da DreamWorks ou da Pixar. É de um estúdio de animação independente da África do Sul, o Triggerfish Animation Studios, que funciona em uma fazenda histórica no subúrbio da Cidade do Cabo.

A Triggerfish começou em 1996 e se destacou na indústria da propaganda local. Ficou mais conhecida por produzir as animações para a versão local do programa americano Vila Sésamo e apostou na ideia de criar filmes ambientados na África, com temas universais.

Khumba é o segundo longa do estúdio. O primeiro, Aventuras em Zambézia, acompanha a aventura de Kai, um jovem falcão que sai do isolamento para descobrir as agruras e as maravilhas do viver em comunidade e dos valores do trabalho em equipe. Uma remissão ao ubuntu, palavra comum a várias línguas africanas e que resume a filosofia de vida do compartilhamento, da coletividade harmônica. Nas palavras do prêmio Nobel da Paz, o bispo sul-africano Desmond Tutu, “só é possível se tornar um ser humano graças a outros seres humanos”. É esse o princípio da animação, recheada de espetaculares paisagens africanas.

Já Khumba trata das diferenças. É a história de uma zebra que não têm o corpo todo preenchido por listras e que sente literalmente na própria pele o conflito com o preconceito, a superstição de outros animais e a busca por aceitação.

A trama dos dois filmes se desenrola no mundo animal africano, mas com um olhar no mercado internacional. Zambézia tem na dublagem as vozes de medalhões do cinema americano, como Samuel L.Jackson e Leonard Nimoy, ator de Star Trek. Khumba segue a mesma fórmula. Tem piadas sul-africanas, comediantes locais na dublagem, mas também recorre à voz e à interpretação de atores hollywoodianos, como Liam Neeson e Laurence Fishburne.

A Triggerfish ainda tem dois novos filmes em fase de captação de financiamento. Here be Monsters vai contar a história de um menino e um monstro marinho e será a primeira experiência do estúdio com animação de personagens humanos. O outro longa, até agora chamado de Seal Team, vai mostrar a vida de um grupo de focas da Cidade do Cabo no enfrentamento de seus inimigos naturais, os grandes tubarões brancos da África do Sul.

Enquanto isso, Khumba, o filme da vez da Triggerfish, tem estreia mundial prevista para 2014 e já recebe muitos elogios da crítica. Além do Grand Prix do Gold Panda de animação, realizado de 16 a 18 de novembro em Sichuan, na China, ainda ganhou o prêmio de melhor animação de longa-metragem internacional no mesmo festival.

O diretor Anthony Silverston comemorou as conquistas ao publicar uma mensagem no site do estúdio. “Na Triggerfish, temos objetivo de fazer filmes globais com histórias universais, mas também queremos dar ao mundo uma voz diferente. Nosso estúdio é na Cidade do Cabo, África do Sul e, apesar de o país ainda não ser reconhecido pela arte da animação, nós esperamos mudar isso”, escreveu Silverston.

Essa voz diferente a que Silverston se refere é a identidade da Triggerfish e se tornou um diferencial de mercado. Em entrevista concedida à revista Forbes, o CEO da empresa, Stuart Forrest, falou dos desafios de manter na África do Sul um estúdio de animação com pretensões internacionais. “Certamente seria mais fácil conseguir reuniões com parceiros influentes se estivéssemos com sede na Califórnia. Mas se estivéssemos com sede na Califórnia, não seríamos quem somos”, resumiu Stuart na época. É o unbutu da Triggerfish.

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