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Por: Filipe Jahn (Redator)

Jornalista cria site para reformular notícias de forma compreensível para as crianças

Da prensa de Gutenberg aos tablets, a informação ganhou velocidade e passou a ficar cada vez mais acessível a um novo público. Conhecidas como geração Z, as crianças nascidas na era da internet utilizam as novas tecnologias sem dificuldade. Sujeitas ao conteúdo diverso dos veículos de comunicação, os “porquês”, dúvidas e curiosidades das crianças muitas vezes ficam sem resposta.

Motivada a esclarecer as perguntas do filho Henrique sobre o incêndio que interditou o maior shopping de Niterói (RJ) em 2009, a jornalista Simone Ronzani recontou a notícia para ele depois de ler a versão do jornal. A experiência serviu como a grande inspiração para criar três anos depois o site Recontando – jornalismo na medida das crianças.

“A proposta parte justamente da superexposição das crianças somada à predisposição natural que eles têm em querer saber de tudo com o que se relacionam em detalhes”, explica Ronzani. Apesar de o site ser voltado para o público infantil, Ronzani conta que tem recebido muitas mensagens de jovens, adultos e idosos. A fanpage do Recontando tem mais de 15 mil fãs, e o site, com um pouco mais de um mês no ar, já ultrapassa a marca de 73,600 visitações.

As notícias reformuladas podem surgir da reunião de pauta entre Simone e outros colegas jornalistas ou através de sugestões do chamado Conselho Editorial Mirim, formado pelo filho da idealizadora do projeto e três amigos, todos com oito anos.

Conselho Editorial Mirim

O Conselho Editorial Mirim

Tudo o que vai ao ar passa pelo crivo das crianças, que semanalmente se reúnem para “assistir” as notícias e em seguida transmitem através de anotações e desenhos a compreensão que tiveram sobre o assunto. O entendimento do Conselho é o aval para a publicação. Para Simone “o potencial educacional e a possibilidade de contextualização da notícia são o objetivo do projeto”.

Divididas em oito editorias, que vão de política a meio ambiente, as notícias são transmitidas em vídeos animados. A opção pelo formato foi escolhida por Ronzani ao entender que a linguagem audiovisual mobiliza a memória, especialmente para crianças, cujo repertório verbal e cognitivo ainda está em desenvolvimento. Além disso, o formato amplia o alcance ao atingir também crianças não alfabetizadas.

Sem retorno financeiro, ainda neste semestre a equipe do Recontando pretende buscar a captação de patrocínio e publicidade para o site. E a ideia é que até o final do ano devem iniciar as Oficinas de Conteúdo Transmídia nas escolas, projeto piloto que tem sido testado na Escola Nossa em Niterói, onde quinzenalmente os alunos assistem um episódio inédito das notícias e após a exibição participam de atividades que avaliam a compreensão das notícias.

* Reportagem com colaboração de Luciana Gonçalves