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Por: comKids (Redator)

Estudo realizado em 42 países sobre “Crianças, Mídia e COVID-19”

Uma pesquisa internacional realizada com 4.322 crianças, de 9 a 13 anos de idade, revela que o acesso ao conhecimento básico sobre o novo coronavírus e sobre as formas de proteção contra a contaminação pode deixá-las menos preocupadas diante da pandemia. As crianças expostas a fake news, como “Comer alho impede que você pegue o coronavírus”, estão mais propensas a ficar “muito preocupadas”.

IZI – International Central Institute for Youth and Educational Television. Alemanha.

Munique, 13 de maio de 2020 – O Instituto Central Internacional de Televisão para a Juventude e a Educação, da Bavarian Broadcasting Cooperation, e a Fundação Prix Jeunesse uniram esforços com pesquisadores internacionais para realizar um estudo com 4.322 crianças, de 9 a 13 anos de idade, em 42 países. O estudo “Crianças, Mídia e COVID-19” perguntou às crianças sobre suas emoções e seu conhecimento acerca do coronavírus, suas formas de uso de mídia e suas estratégias para reduzir o estresse e regular seu próprio consumo midiático. A pesquisa é coordenada pela Dra. Maya Goetz (Alemanha).
O período de trabalho de campo foi de 31 de março a 26 de abril de 2020, em meio ao pico da quarentena de isolamento social na maioria dos países. As amostras não têm a representatividade do total do público infantil dos países ou a nível global. No entanto, elas oferecem descobertas e tendências interessantes sobre como as crianças percebem esse cenário especial.

As crianças percebem a preocupação dos país e o nível de ansiedade delas difere entre as regiões do mundo
Para quase todas as crianças ouvidas em todo o mundo, a vida mudou radicalmente. A maioria não está mais indo à escola, tem pais trabalhando geralmente em casa, e não tem mais possibilidade de praticar esporte ou atividades de lazer. Em todo o mundo, uma em cada duas crianças se sente preocupada por causa do coronavírus. A porcentagem de crianças “muito preocupadas” difere de país para país. Em países como Áustria (2%) e Alemanha (3%), por exemplo, são baixas as proporções de crianças “muito preocupadas”, enquanto em países como a Tanzânia esse índice chega a 75%.

O medo mais comum: que a família fique doente
Os maiores medos das crianças são de que um membro da família fique doente e de não poder visitar seus avós e outros parentes por um longo período de tempo. Esses são os temores encontrados pelo estudo em todo o mundo em uma extensão muito semelhante. Diferenças podem ser encontradas nas preocupações de que eles próprios ou seus animais de estimação possam ficar doentes.

Aqueles que sabem muito estão menos frequentemente entre os “muito preocupados”
O que este estudo deixa muito claro é a conexão entre preocupação e conhecimento. Quanto menos fatos a criança souber sobre o vírus e sobre como se proteger dele, maior será a proporção das “muito preocupadas”.

Quanto mais as crianças acreditam em Fake News, maior a tendência de ficarem “muito preocupadas”
Crianças são especialmente propensas a se tornarem “muito preocupadas” se forem atraídas pelas notícias falsas em circulação. Entre as notícias falsas, por exemplo a de que “o coronavírus foi usado como arma por um governo estrangeiro”, ou a de que “o alho impede a contaminação do coronavírus”. A conclusão aponta que o conhecimento está ligado à redução da incerteza e, portanto, à redução de preocupações.

“As crianças precisam de informações e mídias confiáveis e apropriadas para suas idades, criadas para explicar a situação sem assustá-las ou estimular a ansiedade”, diz a pesquisadora líder do estudo, Dra. Maya Götz, da Alemanha. O que exatamente isso significa e o que a TV infantil em todo o mundo está oferecendo a esse público jovem é o tema do Festival virtual PRIX JEUNESSE INTERNATIONAL 2020, de 5 a 11 de junho: “Separados pela crise, juntos em compromisso pelas crianças”. O festival é organizado em Munique e será transmitido gratuitamente para todo o mundo.

No Brasil
No Brasil, a Singular, Midia & Conteúdo em parceria com o Midiativa , realizou 80 entrevistas, sendo 41 meninas e 39 meninos, de 9 a 13 anos, cobrindo 15 estados e o Distrito Federal:

São Paulo – capital, Itaquaquecetuba, Araraquara, Vinhedo; Belém –PA; Campo Grande – MS; Florianópolis – SC; Rio de Janeiro – Capital; João Pessoa – PB; Fortaleza –CE; São Luís – MA; Teresina – PI; Brasília – DF; Vitória –ES; Viçosa – MG; Araxá – MG; Salvador – BA; Lençóis – BA; Amargosa – BA; Vitória da Conquista – BA; Piatã – BA; Maceió – AL ; Ponta Grossa – PR; Curitiba – PR e Porto Alegre- RS.
O trabalho foi uma cooperação com a participação de Beth Carmona, Affonso Barella, Giovana Botti, Thaisa de Oliveira, Paula Oliveira e Daniel Leite.

Singular, mídia & conteúdo

As crianças brasileiras, estão enquadradas na media do mundo em suas respostas, em geral, porem apresentam uma preocupação excessiva quanto a seus pais e seus amigos poderem contrair a doença. Aqui no Brasil, outro dado que chama a atenção é a grande percepção das crianças sobre o alto nível de preocupação de seus pais durante a pandemia. Como constata o estudo a informação é fundamental para a redução da ansiedade e acreditamos que um maior conhecimento possa reduzir o estresse. Ou seja, conversar com as crianças sobre o que esta acontecendo e dar-lhes uma explicação simples, coerente e verdadeira é uma boa trilha a ser seguidas pelos pais e cuidadores e por que não pela própria mídia infantil, constata Beth Carmona, produtora especializada em conteúdos infantis. A Informação para elas é um direito, assim como suas opiniões e preocupações devem ser atentamente escutadas e levadas em conta.
Algumas falas das crianças brasileiras durante o campo da pesquisa:

“…Meus pais estão separados e não posso ver meu pai
“….Tenho bronquite e tenho medo de pegar a doença
“… Meu pai é medico e pode atender pacientes contaminados
“… Só temos um computador e como tenho irmão fica difícil estudar on line porque as vezes os dois precisam usar”
“… Estou conversando com meus avós por whatsapp e isso me deixa muito melhor
“… Mexo no celular, nas redes sociais e posto muitas fotos para as pessoas nao esquecerem que eu existo
“…Tenho aproveitado minha família, mesmo não podendo se abraçar

O estudo “Children, Media and COVID-19” e outras pesquisas qualitativas com crianças de países como Síria, Irã e Serra Leoa, ou de centros de refugiados em Luxemburgo, serão apresentados via transmissão ao vivo em 7 de junho de 2020 no PRIX JEUNESSE INTERNATIONAL 2020.

Logo do Prix Jeunesse Internacional 2020.

IMG do destaque: Annie Spratt, Unsplash.