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Por: comKids (Redator)

Flavio de Souza é dramaturgo e roteirista de programas infantis célebres da TV brasileira, autor de dezenas de livros, peças de teatro e roteiros de cinema. Escreveu para produções como o Castelo Rá-tim-bum, o Mundo da Lua, Rá-Tim-Bum e Ilha Rá-Tim-Bum e criou personagens memoráveis como o garoto Lucas Silva e Silva.

E quem não lembra do Tíbio? No Castelo Rá-tim-bum, criado com o cineasta Cao Hamburger, Flavio ainda atuou como o personagem da divertida dupla de gêmeos cientistas Tíbio e Perônio (Henrique Stroeter), que marcou a infância de muita gente na década de 90 e valorizou a divulgação científica bem-humorada para crianças na televisão.

Agora Flavio de Souza também está na internet. O canal Flavio de Souza – Escritor, no Youtube, tem menos de um ano e reúne vídeos de contação de histórias e encenações de obras do autor, com muito humor. O canal conta com ilustrações, figurinos e adereços feitos pelo próprio Flavio, além de criações de amigos e atuações de atores e atrizes comediantes.

Flavio de Souza em trabalho para o canal no Youtube, com a participação das atrizes Sonia Bacila e Anna Rafaela Bacila. Foto: Divulgação

O autor também tem viajado para visitar escolas pelo Brasil com suas obras. Foram mais de 60 livros publicados. Entre eles, “O menino de calça curta”, de elementos autobiográficos de Souza, e “Chapeuzinho Adormecida no País das Maravilhas”, que ganhou o Prêmio Jabuti em 2006 com a combinação criativa de vários contos de fadas. A mistura dos contos, segundo o próprio autor, virou “mania” e deu origem a outros livros como os três volumes de “Que História é essa?” e “Nove chapeuzinhos”. Para Flavio de Souza, são obras influenciadas por uma lição aprendida com Monteiro Lobato. “Tem tudo a ver com a falta de cerimônia que meu mestre Lobato tinha com esses personagens antigos”.

Entre novos projetos, a possibilidade de uma ótima notícia para os fãs da dupla de cientistas Tíbio e Perônio. Flavio de Souza tem planos para um programa próprio dos gêmeos, em uma ideia de spin-off do Castelo Rá-tim-bum.

A preparação no estúdio onde Flavio de Souza escreve, desenha, pinta e cria ilustrações usadas no canal de Youtube. Foto: Divulgação

 

O autor falou ao comKids sobre o seu trabalho, da conexão do público com figuras clássicas de contos infantis e sobre a importância da valorização do livro para crianças.

Sobre contos de fadas
-Em geral, nas suas histórias vemos um resgate de figuras clássicas de contos infantis, como bruxas, príncipes, princesas, sapos. A conexão do público infantil com esses personagens e arquétipos sobrevive mesmo em meio aos recursos eletrônicos e apelos desse meio multimídia. O que mudou e o que se mantém nesse universo de histórias?
Elas perduram porque falam com o coração das pessoas (e não com o cérebro) sobre coisas básicas e universais de todos os seres humanos em qualquer época. Aprendi com meu mestre Monteiro Lobato a não ter cerimônia com nada, e escrevi vários livros de contos com variações dessas histórias antigas, e quando acho que já esgotei essa mina, volto a ter novas ideias. O que mudou é apenas a maneira de contar, os formatos, o politicamente correto (ou não), etc.

Monteiro Lobato
– Você cita Monteiro Lobato como um mestre. Para você, qual a melhor lição de Lobato para produtores culturais infantis?
Não tenha medo de contar as histórias do jeito que você tiver vontade, bastando ser responsável. E que não existem assuntos que não podem ser usados para falar com crianças, tudo depende de como você apresenta. E não deixar de usar uma boa dose de senso de humor.

Sem cerimônia
– Você fala da importância de não ter cerimônia com nada. Por que isso é importante quando se escreve para crianças?
É importante, mas não imprescindível. Para mim, é indispensável, detesto quando recebo críticas feitas por pessoas que parece que têm em casa uma bíblia onde está escrito o que pode e o que não ser feito em qualquer obra literária ou em obra de arte em geral. Como é para a Emília (ou seja, como era para o Lobato), as regras existem para serem burladas, desobedecidas, ou, no mínimo, avaliadas, criticadas e muito possivelmente, mudadas.

Flavio de Souza em cena para o canal, com a atriz Janaína Micheluzzi.    Foto: Divulgação

Livro infantil
– Você está visitando escolas pelo Brasil. As escolas estão valorizando mais a contação de histórias?

Eu acho muito bacana contação de histórias, mas eu sempre acho que os contadores deveriam contar para o público que vão contar ou contaram uma história cuja fonte é um livro. Fora alguns casos, eles sempre usam livros como fonte, e as pessoas precisam ser lembradas de que os livros existem.

Estou viajando pelo Brasil para divulgar meus livros, uma coisa que não podia fazer durante anos porque trabalhava em televisão, às vezes em televisão e cinema, e geralmente em televisão, cinema e teatro ao mesmo tempo. Isso me impossibilitava de fazer qualquer plano a médio prazo, e esse tipo de viagem precisa ser programada com uma certa antecedência.

É muito bom entrar em contato direto com o público que lê meus livros, ouvir as perguntas e os comentários, e mesmo dar autógrafos e tirar fotos. Além da divulgação do meu trabalho, acho importante a divulgação de que existem escritores, pessoas que usam muitas horas de sua vida pensando, estudando e escrevendo e reescrevendo para que os livros existam e, mais uma vez, que existem essas coisas feitas de papel – ou que podem ser acessadas em dispositivos – onde há histórias inéditas ou histórias conhecidas contadas de forma nova, ou simplesmente histórias verdadeiras, contadas de maneira mais completa que nos noticiários.