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Por: comKids (Redator)

A pesquisadora alemã Maya Goetz, especializada em meios de comunicação, infância e juventude, participa do Festival comKids – Prix Jeunesse Ibero Americano, que até domingo, 23 de agosto, promove mostras, workshops e debates em São Paulo sobre produções culturais para crianças e jovens. Veja a programação completa do festival.

Maya é diretora da Fundação Prix Jeunesse e do Instituto Central Internacional para a Juventude e a Televisão Educativa e defende que programas infantis de qualidade e a força de boas histórias e personagens podem fazer diferença no desenvolvimento pessoal das crianças.

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Maya Goetz

O workshop (Histórias fortes para crianças fortes) já está com as inscrições esgotadas, mas Maya participa ainda da Conversa comKids Diversidade e potência das infâncias e juventudes, nesta terça-feira, 18 de agosto, às 20h30, no Sesc Consolação. As senhas serão distribuídas meia hora antes do evento.

Confira algumas reflexões da pesquisadora sobre diversidade nos programas infantis.

“Telenovelas não são feitas para crianças”
“O mais importante é que elas (as telenovelas) não tratam das necessidades das crianças e não estão respondendo às perguntas que uma criança tem em mente. As crianças têm de desenvolver a sua identidade. Elas estão ansiosas para aprender sobre o mundo em torno delas, encontrar uma maneira de como lidar de uma forma pró-social com as suas emoções e têm um humor totalmente diferente dos adultos. As crianças precisam de programas infantis que seja especialmente feitos para elas e que estejam centrados em torno desse público, com foco nas suas questões e na sua visão do mundo. “

Crianças em áreas de conflito e zonas de guerra
“A mídia de qualidade tem muito a oferecer, especialmente para estas crianças. Por exemplo, há uma grande carência por informação e a necessidade de serem levados a sério pelos adultos. Com documentários, histórias de ficção ou não-ficção é possível dar exemplos sobre como aprender a lidar com circunstâncias difíceis. Para a criança, a fantasia é, especialmente em tempos de crise, muitas vezes, a única maneira de permanecer saudável ou, pelo menos, de desenvolver resiliência para voltar a se recuperar. Por isso, eles precisam de adultos que saibam como lhes dar voz e perspectivas, como passar informações de uma forma que seja compreensível e não emocionalmente avassaladora. Eles precisam profundamente de adultos amorosos que tenham intenções honestas para levá-los a sério!”

Histórias fortes para crianças fortes
O workshop é baseado em mais de 21 estudos que temos realizado nos últimos 12 anos sobre como as crianças utilizam personagens de TV em seu processo de identidade. Especialmente quando eles estão passando por um momento difícil, como quando seus pais estão se separando, quando estão tendo problemas na escola ou com amigos, etc. Eles usam a fantasia de construir histórias para permanecer mentalmente saudáveis e para desenvolver uma perspectiva de futuro. Gerações anteriores fizeram isso com livros ou contação de histórias. Por esta razão, histórias e personagens são claramente muito importantes. Podem estimular o desenvolvimento, mas também podem impedir a criança de ver a sua própria força. O workshop é, por assim dizer, o próximo passo. Com base na pesquisa sobre resiliência – o poder de se recuperar após uma crise -, os participantes vão desenvolver a sua própria pequena história de força, de acordo com sua própria cultura. É um workshop muito poderoso onde nós trabalhamos intensamente com a nossa própria identidade, aprendemos a valorizar a cultural regional, e acima de tudo, a alimentar a resiliência das crianças.

Sobre a produção na América Latina e no Brasil
Toda a América Latina avançou bastante e produziu programas de qualidade surpreendentes em um continente que tem uma indústria relativamente pequena para a TV infantil. Com programas como “Pedro e Bianca”, da TV Cultura, que ganhou o Prix Jeunesse Internacional 2014 na categoria 12-15 Ficção e Não-Ficção, o Brasil deu um exemplo de como se pode abordar temas de identidade de uma forma muito profunda, única e leve. “Pedro e Bianca” é um dos meus exemplos favoritos sobre como falar da perda e amor de família e sobre como aceitar um ao outro, com todas as pequenas esquisitices que as pessoas reais têm. E acredite em mim: o mundo adora e quem vê fica sempre comovido, profundamente.
Outra abordagem excepcional, que vai além de tudo o que o mundo da TV jovem tem visto até agora, é “Leve-me para Sair”, do Coletivo Lumika. É um documentário com jovens brasileiros de orientação sexual gay que contam suas perspectivas sobre como querem ser vistos, chamados e como eles veem o mundo.
Estes são apenas dois exemplos e claramente há muito mais. Há muito talento, coragem e uma forma única de produzir televisão que seria valiosa para o mundo. Assim, a minha esperança é a de que esses produtores – muitas vezes bastante jovens – tenham a oportunidade de desenvolver seus próprios programas, para enriquecer não só a vida das crianças brasileiras, mas também do resto do mundo. Porque eles têm uma visão de mundo singular.

Destaque: crianças de Kosovo participam de evento realizado pela Prix Jeunesse Internacional e Wadada, News for Kids, 2015.