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Por: Giovana Botti (Redator)

Um dos mais importantes festivais internacionais de mídia educativa completa este ano quarenta edições. A programação da edição comemorativa do Japan Prize, evento da Japan Broadcasting Corporation (NHK), promete apresentar de 17 a 24 de outubro, em Tóquio, um panorama das melhores produções do mundo em conteúdo audiovisual de potencial educativo. Os finalistas já foram anunciados e entre eles está a animação brasileira Morte e Vida Severina, baseada na obra de João Cabral de Melo Neto e na adaptação em quadrinhos de Miguel Falcão. A produção é da TV Escola, canal educativo do Ministério da Educação do Brasil.

A animação brasileira concorre na categoria audiovisual Educação Continuada – para 18 anos ou mais, uma divisão que resume bem o diferencial do Japan Prize em relação a outras premiações internacionais que privilegiam materiais educativos e culturais direcionados à criança. No prêmio da NHK o que está em competição é o potencial cultural e transformador dos projetos – audiovisuais, digitais ou interativos – tanto para menores quanto para maiores de idade.  Os conteúdos são comprometidos com a abordagem da responsabilidade social e os temas estão, na maioria das vezes, conectados com urgências da atualidade, independentemente da faixa etária do público. No ano passado, por exemplo, o vencedor do Gran Prix foi a animação espanhola Wrinkles, que conta a história de idosos, em uma casa de repouso, no enfrentamento da doença de Alzheimer.

São várias as premiações para eleger iniciativas que, de alguma forma, contribuam com o desenvolvimento do público a que é dirigido. Além da Educação Continuada, o prêmio ainda tem outras categorias: Até 6 anos (Pré-escolar), Entre 6 e 12 anos (Primário), Dos 12 aos 17 anos (Juvenil), Educação para o Bem-Estar e Inovação (sem definição etária). Os vencedores de cada categoria audiovisual ganham US$ 2 mil em dinheiro e o projeto que mais se destacar entre elas, o grande ganhador do Gran Prix Japan Prize, acumula mais um prêmio de US$ 5 mil dólares.

Uma divisão específica elege os dois melhores projetos para TV, originados de países e regiões que enfrentam limitações e dificuldades financeiras.  O Hoso Bunka Foundation Prize premia uma proposta de cunho educativo com US$ 8 mil em dinheiro e o prêmio da UNESCO é de US$ 3 mil para uma proposta de programa de TV que promova a alfabetização e o ensino da língua no desenvolvimento da educação básica de um país ou região.

Ainda há premiações especiais, como o Maeda Prize – para programas de TV com teor educativo-, o Japan Foundation President’s Prize – para projetos que estimulem a cooperação internacional, entre raças e culturas estrangeiras – e o prêmio UNICEF – para trabalhos que promovam a reflexão sobre a vida de crianças em situações de risco.

Os vencedores são escolhidos por um corpo de júri internacional, formado por pesquisadores e especialistas em mídia e educação em todo mundo. Durante quase duas semanas, estes profissionais assistem e discutem as produções dos finalistas de todas as categorias para elencar os premiados. A avaliação é feita a portas fechadas. Entre os jurados deste ano está a diretora-geral e editorial do comKids, Beth Carmona, que, como chairperson, vai coordenar os trabalhos de todas as categorias audiovisuais. O Japan Prize recebeu este ano 331 inscrições de produções de 208 organizações de 57 países/regiões.

Beth Carmona, diretora-geral do comKids, em sessão especial para Professores, comkids 2013. Foto: Danila Bustamante/comKids

Beth Carmona, diretora-geral do comKids, em sessão especial para Professores, comkids 2013. Foto: Danila Bustamante/comKids

Japan Prize anuncia novidades para acompanhar inovações digitais

O Japan Prize se consagra como um festival de importância histórica na área de mídia e educação e também avança como fórum de debates sobre as últimas tendências na área. A Conferência Internacional de Produtores de Mídia Educativa (IPCEM), criada no ano passado, será ampliada nesta edição e terá seis sessões. Uma delas vai discutir o Poder da Animação e o diretor espanhol Ignacio Ferreras, da animação longa-metragem  Wrinkles, vencedora do Grand Prix de 2012, vai comandar um dos painéis.

Temas do ambiente escolar também estão entre os principais destaques do IPCEM, que vai discutir o futuro dos colégios e as mudanças que se anunciam na sala de aula a partir dos MOOCs – o Potencial e o Desafio dos Cursos Online Abertos e de Massa. Ainda há painéis sobre os conflitos do Bullying, a Educação Científica, a Prevenção de Desastres e o Cenário dos Países em Desenvolvimento. O IPCEM será realizado de 21 a 24 de outubro, paralelamente ao julgamento dos finalistas do prêmio.

O Japan Prize vai oferecer também este ano uma excursão para os participantes interessados em ver, na prática, como os programas de TV educativos têm uso efetivo no Japão. Eles poderão visitar salas de aula de um colégio primário de Tóquio que incluiu os filmes e trabalhos multimídia na rotina escolar das crianças.

A inovação digital está sempre no radar do Japan Prize. O festival foi criado em 1965 pela NHK como um concurso internacional de programas de TV, mas ao longo do tempo ampliou o foco de atuação por causa das mudanças percebidas no mercado. Desde 2008, promove também outros produtos audiovisuais de conteúdo educativo – como filmes, sites, games e materiais interativos.

Segundo a organização do prêmio, os trabalhos inscritos na edição deste ano refletem as tendências do avanço digital na área da educação, em design, criação e usabilidade. Eles destacam os conteúdos educativos desenvolvidos para tablets e computadores, como os de função touchscreen para o público infantil. Entre os programas de TV para crianças, surgem temas como filosofia, relações humanas e sociais. E os destaques das categorias de trabalhos dirigidos para adultos foram documentários, conteúdos para web e aulas online de universidades sobre temas universais e relevantes para a sociedade moderna.

Cresce número de produções latino-americanas no Japan Prize

Ao lado do Brasil, Chile e Colômbia figuram como os representantes latino-americanos entre os finalistas da 40ª edição do Japan Prize. O Chile e a Argentina concorrem com a coprodução Horacio y Los Plasticines e a Colômbia tem três finalistas, dois deles selecionados entre as produções de Educação Primária. Estão nessa categoria O Show de Perico, produzido pela Radio y Television de Colombia (RTVC), e o programa de TV Migrópolis, da Hierro Animación, vencedor de dois prêmios do Festival comKids Prix Jeunesse Iberoamericano, realizado no Brasil. Outra produção colombiana, Tu Huerta em Casa,  concorre no Japan Prize em uma categoria à parte, a Divisão de Proposta de TV.

A visibilidade das produções latinas confirma a relevância desse mercado. Segundo os organizadores do Japan Prize, o número de inscrições de produtores da América do Sul e Central cresceu este ano, na comparação com outras edições. O secretário-geral do evento japonês, Yuichi Itamiya, ressalta a importância da participação dos produtores dessa região e credita esse aumento ao Festival comKids Prix Jeunesse Iberoamericano, que reuniu em junho, em São Paulo, as melhores produções audiovisuais, digitais e interativas realizadas na América Latina e na Península Ibérica para o público infantojuvenil.

Itamiya veio pela primeira vez ao Brasil nessa ocasião, para divulgar o Japan Prize durante o Festival comKids e conhecer mais de perto as criações regionais. “Fiquei impressionado com a alta qualidade dos conteúdos e com as mensagens universais das produções”, afirmou o secretário-geral do prêmio, que aposta no forte potencial para que os conteúdos latino-americanos alcancem cada vez mais os mercados internacionais em projetos de coprodução.

Senhor

Senhor Yuichi Itamiya, secretário-geral do Japan Prize
comKids 2013 – Foto: Danila Bustamante/comKids

Veja também:

Trailers dos finalistas da edição deste ano do Japan Prize.