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Por: comKids (Redator)

Entrevista realizada por Giovana Botti

A diretora de operações da Free Press Unlimited, Ruth Kronenburg, concedeu entrevista especial ao comKids em sua visita ao Brasil para celebrar o lançamento do Repórter Rá Teen Bum, que estreia temporada de exibição na TV Rá Tim Bum. Os temas principais da conversa foram o histórico e a atuação dessa organização holandesa no mundo e na América Latina, democracia e princípios que justificam a esforçada luta por uma mídia mais independente para crianças. Vale a pena conferir!

Leia a entrevista completa abaixo.

C- Por que a Free Press Unlimited vê que é importante dedicarmos os nossos olhares às crianças?

R – Existem duas razões. Primeiro, nós pensamos que as crianças, especialmente, são o futuro. Elas são o futuro próximo, um futuro bastante próximo. E, se olharmos para o mundo hoje em dia, nós esperamos um futuro melhor. E um futuro melhor pode apenas se tornar realidade quando as crianças estão bem informadas, quando elas têm acesso a informações confiáveis.

C – Você poderia nos contar um pouco sobre o início desse projeto, sobre o início da Free Press?

R – O começo da Free Press foi no início dos anos 80, ela era chamada Free Voice, e uma outra organização era a Press Now. Nós também tínhamos os componentes em treinamento RNTC. Os diretores decidiram se fundir, e como resultado disso, surgiu a Free Press Unlimited em 2011. Nós nos concentramos em desenvolvimento de mídia, especialmente em países repressivos e frágeis. Free Voice é uma das predecessoras da Free Press Unlimited e eles começaram a KNN (Kids News Network). Depois da fusão, nós herdamos esse programa, vimos seu potencial, e quisemos expandi-lo. Naquela época, e falo de 2011 – 2012, nós estávamos apenas em quatro ou cinco países. Hoje nós estamos em 15 países.

C – Antes do Wadada, a organização tinha realizado alguma ação na América Latina?

R – Sim, nós também tivemos envolvimento no México (e ainda somos bastante ativos lá), no Peru, na Colômbia. Mas isso era basicamente em projetos de liberdade de imprensa. No México nós estabelecemos uma plataforma de “leak”, de forma que denunciantes, pessoas com informações vitais para o país, pudessem “vazar” documentos de uma forma extremamente segura, até mesmo o jornalista não sabe quem o denunciante é. E nós protegemos também os jornalistas dessa forma. É uma plataforma digital segura e de duas vias.

C – E o Brasil?

R – Eu acho que o Brasil está pronto para uma plataforma de “leaks” (risos), “Brasil leaks”. No México, ela se chamava “México Leaks”… bem, vocês podem me ligar a qualquer hora, que eu volto! Nós estamos olhando também para iniciar isso na Colômbia e em El Salvador. Lá queremos estabelecer uma plataforma “leak” também… porque os jornalistas hoje em dia são vistos mais como um alvo. Antigamente, eles eram protegidos pela palavra “imprensa” em seus coletes à prova de balas. Mesmo em situações de guerra ou em demonstrações de violência, eles eram deixados em paz. Hoje em dia, eles se tornaram alvos. Nós registramos vários casos nos quais os fotógrafos foram, enfim, baleados no olho, de uma forma que não pudessem mais fazer seus trabalhos. É uma estratégia para silenciar o jornalista. O que nós também fazemos é desenvolver ferramentas para que os jornalistas trabalhem de uma forma segura. Essa é uma parte grande do que fazemos, porque, como disse, nós trabalhamos em países frágeis e repressivos. Mas também em países onde há liberdade de imprensa, ou pelo menos onde ela é chamada assim, e mesmo assim jornalistas estão sob ameaça.

C – Conhecer outras culturas, conhecer além de suas vizinhanças. São esses os benefícios que as crianças que assistem os programas de vocês recebem?

R – É como uma janela aberta para o mundo! Eles mostram a eles que eles não são os únicos que sofrem com os problemas deles. De fato, uma criança de sua própria idade, do outro lado do mundo, tem exatamente os mesmos problemas. Isso faz com que elas possam se identificar com outras culturas. Isso é muito importante para o desenvolvimento futuro deles. Eu acho importantíssimo que elas aumentem suas visões a respeito do que é o mundo, que elas libertem as suas mentes.

C – Você vê alguma coisa em comum nas produções Wadada dos países latino-americanos?

R – Nós estamos muito presentes na América Latina, graças ao Jan-Willem Bult (chefe da área infantil da Free Press). Nós temos o show no Peru, na Nicarágua, na Bolívia, agora no Brasil, em Suriname. E esperançosamente a Argentina e a Colômbia também vão se unir a nós. E o que nós vemos em nossas reuniões anuais, quando nos juntamos e trocamos informações, é que é muito importante que todos os programas possam de fato trocar experiências, informações, problemas… Eu acho que é vital para as crianças latino-americanas. Imagem do destaque: menino concede entrevista à KNN em Moçambique (extraído de freepressunlimited.org , foto: Joris Marseille).