Colunista

Aldana Duhalde

Por: Aldana Duhalde

Por Aldana Duhalde e Jan-Willem Bult

O primeiro Festival de Cinema Infantil Nelson Mandela foi realizado em 2018 em Joanesburgo, no centenário do aniversário do primeiro presidente negro da África do Sul

As datas – 16 e 18 de junho – foram cuidadosamente escolhidas por Firdoze Bulbulia, diretora da Fundação Children & Broadcasting for Africa (CBFA), porque precisamente em meio ao festival foi relembrado um evento-chave que abalou não só a África do Sul, mas também o mundo. Em 16 de junho de 1975, a revolta de Soweto envolveu milhares de crianças e estudantes que se manifestavam pacificamente contra o governo do apartheid e a lei que os obrigava a estudar em Afrikaans, a língua que à época simbolizava a opressão dos negros na África do Sul.

Esta tragédia histórica começou quando o governo respondeu às manifestações com tiros e quase 600 crianças e estudantes foram mortos. Uma das primeiras vítimas foi Hector Pieterson, de 12 anos, especialmente lembrado porque a imagem emblemática que retrata sua morte foi contrabandeada para fora do país e se tornou manchete internacional em denúncia contra os abusos, uma confirmação da potencial força do fotojornalismo para ajudar a despertar consciências e até mesmo mudar realidades.

Hector Pieterson morto nos braços de uma colega que fugia da carga policial durante os confrontos ocorridos em Soweto. Foto: Sam Nzima.

Você pode imaginar o quanto um festival de cinema infantil conectado a essa história e com o nome de Nelson Mandela (1918-2013) poderia ser especial. E foi. Foram oferecidas diversas atividades que ressaltaram a importância da literacia mediática como instrumento crucial para reforçar a liberdade de expressão e a percepção do direito de receber informações confiáveis como condição fundamental para a igualdade e a paz.

Foi por isso que tivemos a oportunidade de compartilhar no evento o workshop WADADA News for Kids, da ONG holandesa Free Press Unlimited, em pleno Market Theatre, local icônico onde, durante o Apartheid, artistas negros tiveram a chance de se apresentar ao público, o que era proibido por lei. Dentro deste contexto, foram discutidos muitos fatores e conceitos que “moldam” a informação. O foco estava nas diferentes definições da palavra “news”, as técnicas específicas que os meios de comunicação podem oferecer aos jornalistas e produtores que trabalham para crianças a fim de chegar a um melhor resultado no trato de questões difíceis, algumas dicas sobre como construir uma contextualização acurada, debates sobre como temas polêmicos podem se tornar acessíveis às crianças e, fundamentalmente,: como incluí-los como uma série fonte de informações para a sociedade. Sob o lema “As pessoas merecem saber”, fazer notícias para e com crianças nos dá o privilégio de ouvir suas ideias.

Uma edição da WADADA sobre Nelson Mandela foi apresentada ao público como exemplo de abordagem de notícia internacional que traz a riqueza da diversidade e adiciona perspectivas e pontos de vista de crianças de diferentes países. Tecnicamente, a matéria pretende mostrar um equilíbrio entre o uso de material de arquivo, narração em voice-over e vozes infantis. Como um todo, oferece um recorte significativo sobre a importância desse líder para a humanidade.

Canal Wadada no Youtube.

Nelson Mandela. Extraído de edition.cnn.com

Quem foi Nelson Mandela?

[transcrição do texto da matéria da edição mundial de WADADA News for Kids, 6 de junho de 2013]

Apresentador: A importância do trabalho e das ideias de Nelson Mandela são reconhecidas em todo o mundo. Não importa onde você mora – na Europa, África, Ásia, América Latina ou em qualquer outro lugar – muitos de vocês, crianças, já ouviram a história de Mandela e têm opiniões sobre ele.

José Angel (9), Nicarágua: “Nelson Mandela é um homem que luta pelos povos da África, os negros. Ele não se importa com a cor da pele. Então ele luta. Ele deu um exemplo, então devemos seguir este exemplo. ”

Phoebe (12), Nepal: “No Nepal, não deve haver discriminação de cor ou castas. Todas as pessoas são iguais. Deus nos criou como iguais. Portanto, não deve haver discriminação ”.

Enmanuel (13), Nicarágua: “Depois ficar 27 anos na prisão, ele se tornou presidente, foi um bom presidente. Somos todos iguais, mesmo que tenhamos cores de pele diferentes, nós ainda somos iguais”.

Apresentador: Mandela foi advogado e se dedicou à luta por justiça e igualdade em seu país. Sua visão, suas lutas e sucesso tiveram um grande impacto na humanidade.

Nelson Mandela queria acabar com o sistema do Apartheid na África do Sul, que dava menos direitos aos negros.

Nelson Mandela: “Nós deixamos bem claro em nossa política que a África do Sul é um país de muitas raças. Há espaço para todas as várias raças neste país ”.

Apresentador: Mas ele foi capturado pelo governo sul-africano e enviado à prisão perpétua em Robben Island. Depois da pressão internacional, o governo sul-africano libertou Nelson Mandela em 1990.

Em seus discursos, Mandela não pedia por vingança, mas por união. E em 1994, aos 75 anos, ele foi eleito presidente da África do Sul.

Nelson Mandela: “Nunca, e nunca mais, esta linda terra voltará a experimentar a opressão pelo próximo”.

De volta ao festival, o evento foi realmente um encontro único, cheio de experiências emocionantes que trouxeram cerca de 20 convidados internacionais, palestrantes e artistas a Joanesburgo, para compartilhar sua paixão e conhecimento com profissionais e crianças da África do Sul. Um dos momentos “mágicos” do festival foi quando os delegados e organizadores se uniram espontaneamente às 500 crianças para compartilhar uma celebração de alegria, dançando, cantando para homenagear “Madiba”, o nome do clã de Nelson Mandela, sem dúvida um dos mais importantes nomes na história da construção da paz. Por último, mas não menos importante, tivemos o prazer de apreciar a voz e a energia dos extraordinários irmãos que se apresentaram na abertura do evento e fizeram o público vibrar pelas emoções mais profundas da beleza africana.

Foto: Nelson Mandela’s Childrens Film Festival. Divulgação.

De volta ao festival, o evento foi realmente um encontro único, cheio de experiências emocionantes que trouxeram cerca de 20 convidados internacionais, palestrantes e artistas a Joanesburgo, para compartilhar sua paixão e conhecimento com profissionais e crianças da África do Sul. Um dos momentos “mágicos” do festival foi quando os delegados e organizadores se uniram espontaneamente às 500 crianças para compartilhar uma celebração de alegria, dançando, cantando para homenagear “Madiba”, o nome do clã de Nelson Mandela, sem dúvida um dos mais importantes nomes na história da construção da paz. Por último, mas não menos importante, tivemos o prazer de apreciar a voz e a energia dos extraordinários irmãos que se apresentaram na abertura do evento e fizeram o público vibrar pelas emoções mais profundas da beleza africana.

Abertura do NMCCF 2018. Divulgação.

Abertura do NMCCF 2018. Divulgação.

Imagem do destaque: Crianças tocam na abertura do NMCFF 2018. Foto: divulgação.

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Aldana Duhalde
Aldana Duhalde

Formada em comunicação social, Aldana é jornalista, realizadora, docente e consultora independente de produções para crianças.