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Por: comKids (Redator)

Por Eileen Sanabria

De Cuba, da Rede Unial

(foto do destaque: Especiales Ponyfútbol de Telemedelín – Colômbia – Finalista do comkids 2011)

Novo Cinema Latino-americano, três grandes palavras que, quando se unem como conceitos, precisam de reflexões constantes, análises profundas e da busca incansável por um caminho em direção às novas realidades, sem perder jamais a essência da sua criação.

Foram muitas as correntes que derão vida ao Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano: a Educação Popular, a Teologia da Libertação e, é claro, o próprio Novo Cinema Latino-americano. Correntes que, desde todos os âmbitos, centravam os seus olhares na direção da transformação de uma realidade em convulsão na América Latina, em que a produção cinematográfica não ficava à margem. Ao contrário, encontra, desde os últimos anos da década de 70, um grande espaço de debate que perseguia um maior equilíbrio nos fluxos da comunicação e da informação.

O Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano é um espaço que não foi concebido para acadêmicos ou para teóricos. Ele é um ponto de encontro com o objetivo de funcionar como incubadora de projetos voltados a esse novo horizonte de possibilidades.

Em 1986, bastante vinculados com o contexto descrito anteriormente, surgem os Encuentros del Universo Audiovisual de la Niñez Latinoamericana, como um fórum de discussão, análise e intercâmbio, gerando uma rede necessária de projetos e amigos que transpassa as fronteiras da América Latina, para estreitar instituições e colaboradores de diferentes lugares de continentes longínquos. Como muitos dos mais importantes espaços que se formam a partir de quaisquer âmbitos, surgiu, de maneira fortuita, a partir de um grupo de pessoas que foram convocadas por integrantes do Departamento de Pesquisa do Instituto Cubano de Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC).

Produto desse primeiro encontro e de seus resultados, foi apresentada à Direção do Festival a proposta de realizar um espaço fixo relacionado aos problemas de produção e distribuição de materiais audiovisuais direcionados ao público infanto-juvenil assim como os problemas relativos ao tema da Educação para a Comunicação. Desse modo, torna-se a atividade teórica de mais longa e sistemática trajetória dentro do Festival del Nuevo Cine Latinoamericano, e uma das mais significativas na área da nossa América.

Como resultado desses encontros, surge, em 1991, a rede El Universo Audiovisual de la Niñez Latinoamericana y Caribeña ou Rede UNIAL, concebida como uma união de vontades de diversas pessoas e instituições que, sem fins lucrativos, tentam desenvolver um projeto de educação audiovisual que tenha como fundamento o respeito à criatividade, à liberdade e à expressividade das crianças e jovens, e de suas identificações com valores que lhes são próprios.

A Rede UNIAL mantém vínculos de cooperação com instituições acadêmicas, centros de pesquisa, entidades internacionais, organismos estatais ou governamentais, produtoras de cinema e de televisão e organizações não-governamentais da Alemanha, Argentina, Bélgica, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Espanha, Estados Unidos, Itália, México, Malásia, Nicarágua, Noruega, Holanda, Panamá, Peru, Reino Unido, Suécia, África do Sul, Venezuela, Uruguai, assim como com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Organização Panamericana da Saúde (OPS), o Centro Internacional de Filmes para a Infância e para a Juventude (CIFEJ), a Fundação Prix Jeunesse Internacional, a Associação Católica Mundial para a Comunicação (SIGNIS), a Organização Católica Latino-americana e Caribenha de Comunicação (OCLACC), o próprio comKids, entre outras entidades.

Os vínculos estabelecidos não somente durante os intercâmbios mas também em anos de trabalho constante, proporcionam à rede UNIAL um grande acúmulo de projetos, tanto nacionais como internacionais, desde as diversas perspectivas da comunicação. Esses projetos encontram eco em muitas destas instituições que, de suas diferentes geografias, se unem para potencializar o desenvolvimento saudável e feliz de nossas meninas, meninos e adolescentes. Entre as propostas mais relevantes está a inserção da Educomunicação em âmbitos formais e não-formais; assim como brindar às pesquisas um papel protagonista em todos os processos, que vão desde o criativo ao produtivo.

Se pode dizer, com segurança, que o selo que marca a obra de tantos anos da UNIAL é a criação de um universo em que é possível que se formem experiências que abordam o audiovisual na infância sob várias perspectivas, e que elas se sintam parte dele. Um ponto no Caribe cuja missão foi enlaçar um continente, sobre a base da comunicação aos mais jovens, vinda deles e dirigida para eles.

Nos dias de hoje, mais de 25 anos depois de semeada a semente que deu origem a uma experiência tão enriquecedora como essa, continuamos transitando por muitas das problemáticas que serviram de umbral às primeiras discussões teóricas, e que, ainda em nossos dias, continuam sendo igualmente necessárias, já que longe de desaparecerem, estas problemáticas, em muitas ocasiões, se tornaram mais agudas e se somaram outras tantas.

Muitos dos tradicionais saberes e fazeres se encontram em crise, como o Planeta. A avalanche da tecnologia ajuda e perfura. Sejamos conscientes que os monopólios do cinema e do audiovisual manipulam para si uma versão fragmentada do nosso planeta e se encarregam de falsear e de excluir tudo o que está fora dos limites da sua própria parcela.

Poderíamos, então, nos perguntar: é possível a construção de experiências de educação e comunicação que busquem potencializar a apropriação criativa desses diferentes espaços hipermidiáticos que tornem essa hibridação mutante dos meios tradicionais e das novíssimas tecnologias um exercício de direito?

Muitas das respostas que encontrarmos podem parecer desanimadoras. Mas contamos com a vantagem de que, em toda a nossa afro-indo-latina grande pátria, se originaram muitas experiências, a vários níveis, que buscam a promoção de um novo tipo de alfabetização que vai mais além do simples domínio das habilidades matemáticas básicas e do conhecimento elementar dos textos escritos, possibilitando aos nossos pequenos a expressão “sob forma oral, escrita, impressa ou artística ou por qualquer outro meio à escolha da criança”, tal como prescreve, em seu artigo 13, a Convenção dos Direitos da Criança. Fomentar projetos audiovisuais com o protagonismo real de nossos meninos, meninas e adolescentes é uma necessidade, sobretudo nas populações afro-descendentes nas comunidades mais distantes dos nossos povoados originários e nas zonas marginais das urbes de cada um dos nossos países. Uma ação necessária para os que não tem nada a perder.

Este último ano, nossa Rede UNIAL está transitando por um momento transcendental, desde a perda de seu fundador, guia e coordenador principal, Pablo Ramos; que foi um dos comunicólogos mais transcendentais da América Latina. Continuar sua incansável obra de quase 30 anos é um grande desafio para cada um de seus colaboradores, e para todos aqueles que ainda acreditam que um mundo melhor para nossas meninas e meninos é possível.

Buscando preservar seus sonhos, nos encontramos trabalhando no que seria a sua principal proposta de integração: a criação de uma Plataforma Audiovisual Latino-americana para a Infância e a Adolescência, que centramos em quatro linhas fundamentais:

1) Festivais para crianças e adolescentes.
2) Experiências de educação para a comunicação em espaços comunitários e escolares, como parte de um processo de participação ativa de comunicação das nossas crianças e adolescentes.
3) Produção audiovisual para meninos, meninas e adolescentes na América Latina e no Caribe.
4) Pesquisa e a docência da Educação para a Comunicação como uma alternativa de visualização de suas potencialidades.
Por que uma plataforma? Que tipo de proposta estamos imaginando? Que novos elementos ela poderia nos trazer? Quais os benefícios de fazer parte de algo assim? Como sería possível deixar de sonhar e tornar isso possível?

A plataforma busca a criação de redes, a concepção de projetos comuns, a proposta coletiva, sempre mais enriquecedora que a individual, e fundamentalmente, a possibilidade de aprender a sonhar juntos e de lutar para que esses sonhos se tornem realidade.

A partir destas reflexões, convocamos todos aqueles que, de diversas matérias, desenvolvem projetos situados no Universo Audiovisual da Infância Latino-americana e Caribenha a partir de suas possibilidades múltiplas, que venham criar pontes que nos fortaleçam em nossos objetivos comuns.