Colunista

Lilia Nemes

Por: Lilia Nemes

Um homem alto, barbudo, de longos cabelos crespos entra pelo corredor do teatro e posta-se num canto, diante das fileiras de crianças, mães e pais. Seu aspecto de pirata, sábio, pescador ou mendigo logo o destaca como a personagem da peça. Mas o homem não fala nada, apenas olha para o público, à espera. O estranho silêncio vira motivo de risada entre as crianças. São elas que, numa balbúrdia de gritos, explicam ao ator que ele está ali para fazer uma peça de teatro.

O Senhor das águas, Foto Tainá Azevedo

O Senhor das chaves – Foto:Tainá Azevedo

A participação das crianças é um dos trunfos do espetáculo O Senhor das Chaves, em cartaz até 13 de outubro no Teatro Cacilda Becker. Elas divertem-se ao serem convidadas a falar, a subir no palco e a dirigir a personagem (Alexandre Roit) numa caça ao tesouro que leva a três chaves, a três baús e a três histórias: o romance proibido entre uma sereia e um humilde pescador, a convivência entre o pescador e um gigante malabarista e a visita do pescador a Atlântida. Dono de longa experiência na arte do palhaço e do improviso, o ator Alexandre Roit sabe abrir espaço às riquezas e aos riscos que surgem neste jogo com o público.

A direção de Pedro Pires valoriza a presença do ator e constrói imagens com poucos recursos. O malabarismo é um deles, num bonito casamento com a trilha sonora de André Abujamra.

Outro mérito do espetáculo é tratar com leveza e humor de temas como a solidão e a memória. A cada história compartilhada com o público, a personagem esquece de si e fala de seu isolamento. São as crianças da plateia que relembram a história recém-contada e reconduzem a personagem a uma nova chave e a novas aventuras.

Serviço:

Local: Teatro Cacilda Becker
Endereço: Rua Tito, 295 – Lapa São Paulo
Telefone de informação: (11) 3864-4513
Horário: 16 horas
Duração: 50 minutos
Recomendação: Livre
Ingresso: R$ 2,00

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Lilia Nemes
Lilia Nemes

Atriz e pesquisadora de artes cênicas. Mestre pelo Instituto de Artes da UNESP com a dissertação “A Cia. La Mínima e a comicidade no espetáculo A Noite dos Palhaços Mudos”.