Novidades

Por: Julio Gurgel (Redator)

Parece conto de ficção científica, veja só: uma criaturinha de 60 centímetros, feita de plástico, metal, circuitos eletrônicos, olhos brilhantes e voz engraçada tornou-se uma das poucas a conseguir se comunicar efetivamente com crianças portadoras do transtorno do espectro autista.

De outro lado, uma adolescente autista de 17 anos, sentada ao computador, vem conseguindo expressar o seu transtorno em palavras. Já escreveu um livro em co-autoria com o pai e ajudou a produzir um vídeo – vale a pena ver – em que mostra como age o transtorno.

Nos mundo do trabalho, jovens autistas estão sendo treinados para trabalhar no desenvolvimento de softwares, produtos 3-D e design digital. Pela capacidade de empregar super foco naquilo que faz, são até três vezes mais produtivos que uma pessoa sem deficiências cognitivas.

Esses pequenos-grandes milagres ajudam a entender melhor o transtorno do espectro autista. Evoluções que seriam impossíveis sem o apoio dos  dispositivos tecnológicos – robótica, jogos, ambientes virtuais, computadores e mais recentemente os tablets. Com a interação, a ciência – e sobretudo os pais –  estão conseguindo entender as peculiaridades desse universo, abrindo caminho para chegar lá naquele pontinho do cérebro responsável pela comunicação e socialização da criança com seu entorno.

No Brasil, estima-se que dois milhões de pessoas sofram do transtorno. A principal característica do autismo é a dificuldade de se comunicar com as pessoas ao redor, exprimir sentimentos ou cumprir funções sociais comuns. Algo como como estar trancado dentro de si próprio.

O comKids pescou algumas iniciativas e pequenos “milagres” ao redor do mundo para que você conheça um pouco mais do transtorno e de algumas boas ideias que ajudam o autista a se abrir para o mundo. Confira:

NAO
França

NAO é a criaturinha citada no começo da matéria. Trata-se de um robô humanóide, articulado, programável, capaz de reconhecer determinados padrões de comportamento e interagir com humanos. Dotado de câmeras e sensores, NAO é capaz de ver, ouvir, falar, andar e até dançar.

Adotado por mais 500 universidades e laboratórios em 60 países, o NAO tem gerado bons frutos devido, principalmente, ao seu papel como “ponte” entre o humano e tecnológico – um aspecto muito apreciado por crianças portadoras do autismo.

É desenvolvido pela francesa Aldebaran Robotics.

Keepon
Japão

Keepon é um outro robô desenvolvido para ajudar crianças com autismo. Nascido na Miyagi University do Japão, a ideia era de criar um modelo simples, incapaz de  intimidar as crianças. O resultado, pelo visto, foi satisfatório. Segundo os fabricantes, o jeitinho fofo é um fator de atração imediata – inclusive para o público adulto. No YouTube, um vídeo do robozinho dançando já ultrapassou 3 milhões de visualizações.

Zac browser
Estados Unidos

Por trás desse programa há uma história bonita. Depois de saber que seu neto, Zackary, tinha autismo, o engenheiro de software John LeSieur passou a observar o comportamento do pequeno ao lidar com o computador. Diante da constante frustração do neto, resolveu construir um espaço amigável no qual fosse possível navegar, brincar e ficar longe de conteúdo violento ou não adequado. Assim nasceu o Zac Browser, que pouco depois virou um sucesso mundo afora. O programa é gratuito e pode ser instalado em Macs ou PCs. Em breve a versão para tablets (Android e iOS) estará disponível.

AutisMate
Estados Unidos

É um aplicativo para tablet que permite adição de fotos, vídeos e gravação de voz e uma série de outros mecanismos que possibilitam a criança se comunicar com o seu mundo.

Foi criado por Jonathan Izak, para ajudar seu irmão autista de 12 anos a expressar desejos. O aplicativo usa GPS (Global Position System) para reproduzir imagens dos arredores da criança – casa, colégio, vizinhança. Uma navegação baseada em símbolos  ajuda a criança a apontar aquilo que deseja: clicar na geladeira quando tem fome, por exemplo.

Smarty Ears
Brasil

Conjunto de três aplicativos desenvolvidos pela fonoaudióloga brasileira Barbara Fernandes:

▪ Respondendo perguntas – para crianças com atraso de linguagem

▪ Encontrando absurdos – no qual as crianças fazem uma análise da situação das imagens e apontam o que há de inusitado nelas.

▪ Aprendendo adjetivos – jogo coletivo que tem como objetivo monitorar progressos e resultados da interação da criança.

Carly’s Cafe
Canadá

Aos dois anos,  a canadense Carly Fleischmann foi diagnosticada com autismo. Submetida a um tratamento intensivo, manteve-se inacessível até os 10 anos de idade, quando algo despertou dentro de si. Com a ajuda de um computador, conseguiu comunicar aos pais uma dor de dente. E partir daí, avanços culminaram no lançamento de um livro, em co-autoria com o seu pai, e com a produção de um vídeo na web que explica como um autista se sente diante de algo tão banal quanto manifestar um desejo.

carly

Altamente emocional, Carly’s Cafe mostra a luta da garota diante da simples tarefa de pedir um café. Vale o clique.

No site de Carly, é possível ler textos que ela mesma escreve: www.carlysvoice.com

Skills
Estados Unidos

Terapia individualizada para crianças portadoras do aspecto autista pode custar muito caro, além de estar limitada a alguns centros urbanos. Por isso, o CARD (Center for Autism and Related Disorders) criou uma plataforma online para mostrar aos pais como ensinar alguns mecanismos básicos aos filhos.

Autism Games
Austrália

Direcionado a pais de crianças com níveis de moderado a alto de autismo, é basicamente um compêndio de jogos, separados em grupos distintos de objetivos (gestos não-verbais, agrupamento de objetos, contato visual etc.). Foi desenvolvido pela Swinburne University, da Australia, em parceria com instituições especializadas.

para crianças: www.whizkidgames.com

PARA FICAR DE OLHO:

nonPareil Institute
Estados Unidos

Organização sem fim lucrativos que oferece treinamento técnico em tecnologia de ponta para portadores do transtorno do espectro autista. A iniciativa nasceu a partir da preocupação de um pai com o futuro do filho. Depois de observar o interesse do jovem em computadores e consoles de vídeo games, Dan Selec criou o instituto que hoje oferece um caminho para mais de 100 jovens nos EUA.